domingo, janeiro 30, 2011

Que mão de obra é essa?

Já não é mais novidade para ninguém que a educação no Brasil não acompanha o crescimento econômico do País. No entanto, além da falta de mão de obra especializada, grandes e pequenos empresários estão enfrentando mais um problema na hora de contratar funcionários ou estagiários: a ausência de comprometimento, que, dependendo do ponto de vista, pode estar relacionada à educação. 

Histórias de pessoas que chegam para trabalhar e abandonam o emprego no mesmo dia sem mesmo dar satisfações ao novo patrão são comuns. Há também inúmeros exemplos de empregados que faltam e nem justificativas expressam. Com tais cenários, empresários estão muito mais seletivos no momento da contratação, exigindo experiências anteriores e principalmente boas recomendações. 

Dessa forma, as indicações favoráveis estão valendo tanto quanto um bom currículo. Portanto, as agências de empregos ou mesmo os recursos humanos das empresas estão tendo que se adaptar a essa nova tendência. Para elas, a busca por candidatos que agradem os empregadores não tem sido fácil, pois já percebem que candidatos experientes nem sempre são aqueles que assumem compromissos com a empresa e com o cargo. 

Nesta conjuntura, encontramos duas guerras: entre patrões em busca de profissionais e entre candidatos a procura de patrões. Nesta luta quem perde é o Brasil. Por isso, a qualificação profissional é um dos mais importantes desafios que o País deve enfrentar nos próximos anos e rápido, sob pena de ter mão de obra estrangeira ocupando posições relevantes que poderiam certamente ser preenchidas por brasileiros. 

O governo transmite essa situação à população como prosperidade da nação. Porém, esquece que, nos países de primeiro mundo, o défice populacional é um forte motivo para atrair estrangeiros. Certamente esse não é o caso do Brasil, com uma população de aproximadamente 200 milhões de pessoas.

Solucionar esse problema requer empenho dos governos na esfera federal, estadual e municipal. Educação, formação técnica e trabalhos sociais são formas de construir um projeto para o futuro. Mas a tarefa deve ser executa com seriedade e com comprometimento, as mesmas qualificações exigidas por empresas para preenchimento de cargos.

Se por um lado o governo precisa empenhar-se, os candidatos também devem se dedicar mais. Comprometimento com o cargo e com a empresa são fundamentais para um futuro promissor e muito valioso para a carreira profissional. 

Infelizmente, quem sofre mais com a falta de pessoas qualificadas no mercado de trabalho são os pequenos empresários, pois não possuem a mesma estrutura das grandes empresas para suprir essa defasagem que o mercado impõe. O resultado disso sempre estará na qualidade cada vez menor do serviço ou do produto oferecido para o consumidor final, penalizado sempre como de costume.

quinta-feira, abril 08, 2010

Caos no transporte aéreo

A revista “Veja” abordou na edição desta semana a dramática situação dos principais aeroportos deste País. Sem o investimento necessário para a demanda de voos que o Brasil possui, viajantes sofrem com a falta de infraestrutura necessária para o bom funcionamento do transporte aéreo. O cenário nada se parece com o que se encontra nos países desenvolvidos, como Inglaterra, Espanha e Canadá, por exemplo.

O problema atinge com mais seriedade o aeroporto de Congonhas, em Guarulhos-SP, e principalmente os vôos internacionais. A espera dentro do avião chega a ser exaustiva e a falta de informação é lastimável.

Depois de uma interminável espera dentro do avião para o desembarque, quando o passageiro acredita que aquele será o único problema a enfrentar na chegada ao Brasil, mal sabe que tal tardança é ínfimo perto dos mais variados aborrecimentos que enfrentará, estendendo-se por mais algumas horas de espera e de angústia.

A extensa fila para a apresentação do passaporte na Polícia Federal é extremamente demorada e exaustiva. O número de oficiais é modesto para atender a demanda no horário de pico. Portanto, 30 minutos é o mínimo de espera para a apresentação. É muito tempo para quem enfrentou horas de viagem dentro de um avião.

A estressante busca pela bagagem também é um problema a enfrentar. Às vezes uma esteira acaba recebendo de três a quatro voos e, então, o festival de empurra-empurra se inicia. Centenas de pessoas vão à busca de seus pertences pessoais. E não é incomum a interrupção da esteira e bagagens sendo atiradas ao chão. Nessa hora, a paciência de muitas pessoas vai ao limite – e com razão.

O último passo antes de deixar o aeroporto é a passagem pela Receita Federal. Dezenas de centenas de pessoas, uma a uma, entregam suas declarações e aliviadas deixam o aeroporto, na esperança de que esse cenário possa mudar em breve.

Essa é uma situação complicada para um País que está prestes a receber dois importantes eventos mundiais, principalmente quando o transporte aéreo é fundamental – se não o mais importante – para a realização deles.

Portanto, investimentos em infraestrutura devem ser tratados com extrema urgência pelos governos (federal, estaduais e municipais). Também não adianta garantir recursos sem o mínimo de planejamento. As metas devem ser cumpridas e as promessas também.

O Brasil está longe de ter um sistema eficaz de transporte para sediar eventos grandiosos, como as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Mas talvez essa é a hora para que os governantes acordem e revejam a importância desses investimentos para o Brasil, beneficiando a população brasileira.

O Brasil necessita melhorar intensamente o seu sistema de transporte e deve começar a pensar em ampliar o investimento em ferrovias, tanto para o transporte de carga como de passageiros. Essa é a oportunidade para o País mostrar que está interessado em se desenvolver em prol de uma nação, fazendo de forma organizada e responsável.

quinta-feira, abril 01, 2010

Páscoa e eleição: uma combinação que políticos adoram

Páscoa em ano de eleição é uma data que certos políticos adoram. Alguns aproveitam bem o período festivo para fazer boas ações. Para isso, até de coelho se vestem - com direito a “dentinho” postiço e tudo. Sem cerimônias, saem pelos bairros periféricos, escolas e entidades filantrópicas “botando” centenas de ovos de chocolate nas mãos de alunos e de crianças carentes e, a cada dois anos ou quatro, ressurgem como se fosse um ciclo vicioso da caridade pascoal.

Nessa época do ano, a prática torna-se mais comum pelo simples fato de que o bom samaritano ainda não é considerado candidato a nenhum cargo político, pelo menos oficialmente. Embora tal atitude não deixe de ser uma caridade, resultará nos próximos meses em compra de votos explícita. Porém, isso já será passado para alguns e esquecidos por outros. Talvez os únicos a se lembrar serão os contemplados e, então, objetivo terá sido alcançado.

A disputa política é árdua e geralmente ganha quem tem mais bala no bolso para adocicar a vida de seus eleitores. Não bastasse o chocolate em forma de ovo, alguns caridosos aproveitam a oportunidade e anexam ainda ao doce presente panfletos, fotos, imã e outros materiais que estapam a felicidade do indivíduo. Vale tudo no desejo de “Feliz Páscoa”, inclusive "ressuscitar" nas eleições, prometendo a salvação e a paz para todo o sempre.

segunda-feira, maio 25, 2009

Família Meneghini: a exposição infantil

Enquanto Silvio Santos foi longe demais com a história da menina Maísa, o “Fantástico” infelizmente segue a mesma direção. Para ensinar hábitos corretos, o programa da TV Globo tem usado de uma espécie de reality show, selecionando famílias que queiram expor sua rotina ao Brasil no quadro "Mudança Geral". E, na atual edição, é a vez dos Meneghinis.

A visibilidade da família Meneghuini não seria tão preocupante se não tivesse dois pré-adolescentes, como definiu a própria garota e protagonista do quadro, Malu, de 13 anos, na última edição do programa. Ela e seu irmão, Matheus, de 10, são expostos aos votos populares e ao ridículo. No último domingo, por exemplo, estabeleceu-se que os dois cuidariam da cozinha durante esta semana, com acompanhamento de uma nutricionista, enquanto a mãe descansaria.

Mas o que isso tem demais? Simples: são duas crianças (ou pré-adolescentes) que estão se privando do estudo e das brincadeiras para uma exposição em massa, como se fosse numa arena de gladiadores. Lastimável.

A “síndrome de Maísa” daria uma discussão imensa, mas espero que órgãos defensores dos Direitos da Criança e do Adolescente acompanhem de perto casos como esse para que não se torne rotineiros em nossa sociedade.